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Conflito no Médio Oriente pode gerar mais de 15 mil insolvências globais até 2027, segundo Allianz

Conflito no Médio Oriente pode gerar mais de 15 mil insolvências globais até 2027, segundo Allianz

A Allianz Trade prevê que o agravamento do conflito no Médio Oriente venha a provocar mais de 15 mil insolvências empresariais a nível mundial entre 2026 e 2027, num contexto de crescente instabilidade económica e pressão sobre as cadeias de abastecimento.
A Allianz Trade publicou o seu mais recente Relatório sobre Insolvências, revelando previsões atualizadas para 2026 e 2027.
De acordo com a líder mundial em seguro de crédito, as insolvências empresariais a nível mundial aumentarão 6% em 2026 (+6% em 2025), o que resultaria num quinto ano consecutivo de aumento das insolvências, antes de estabilizar num nível elevado em 2027. No entanto, um conflito prolongado amplificaria os riscos de insolvência.
Para 2027, é esperada uma estabilização, ainda que em níveis elevados. Face às previsões anteriores à crise no Médio Oriente, o impacto direto do conflito traduz-se em mais 7.000 casos em 2026 e 7.900 em 2027.
Portugal com subida moderada após queda em 2025
No caso português, a Allianz Trade antecipa um aumento das insolvências de 4% em 2026 e de 5% em 2027, após uma descida de 4% em 2025.
Em Portugal a tendência de queda registada em 2025 deverá assim inverter-se, com um aumento moderado das insolvências nos próximos anos.
As projeções apontam para cerca de 2.350 insolvências em 2026 e 2.460 em 2027, valores ainda abaixo da média anual de 2.600 registada entre 2018 e 2020.
Apesar da tendência global, o cenário nacional continua marcado por fortes assimetrias entre setores.
Enquanto áreas como a construção, o retalho e os têxteis registaram diminuições de insolvências, os transportes — com um aumento de 46% — e os serviços continuam a evidenciar crescimento no número de insolvências. As microempresas representam cerca de dois terços dos casos e lideram a tendência.
Num enquadramento económico mais exigente, influenciado pelo recente choque energético que condiciona consumo e investimento, as insolvências deverão subir para cerca de 2.350 casos em 2026 e 2.460 em 2027, ainda assim abaixo da média de 2.600 registada entre 2018 e 2020.
A escalada geopolítica tem contribuído para uma maior volatilidade nos mercados energéticos, aumento dos custos de transporte e perturbações nas cadeias globais de abastecimento. Estes fatores estão a impulsionar a inflação, a restringir as condições financeiras e a enfraquecer a confiança das empresas.
Segundo Aylin Somersan Coqui, CEO da Allianz Trade, “a combinação de uma procura mais fraca, do aumento dos custos dos fatores de produção e de condições financeiras mais restritivas está a colocar sob pressão empresas com margens reduzidas ou elevado endividamento”. Setores intensivos em energia, como transportes, químicos e metais, estão entre os mais afetados, assim como áreas como o agroalimentar, a indústria transformadora, a saúde e a tecnologia.
Risco agravado em cenário de conflito prolongado
A Allianz Trade alerta que um prolongamento do conflito poderá intensificar os impactos económicos. Perturbações no tráfego marítimo, nomeadamente no Estreito de Ormuz, podem comprometer o fornecimento global de petróleo, gás e matérias-primas essenciais como fertilizantes e hélio.
Num cenário mais adverso, o crescimento das insolvências poderá atingir 10% em 2026 e 3% em 2027. Este agravamento representaria cerca de 4.100 casos adicionais nos Estados Unidos e 10.500 na Europa Ocidental ao longo do período.
O aumento das insolvências terá reflexos diretos no mercado de trabalho. A Allianz Trade estima que cerca de 2,2 milhões de empregos estejam em risco em 2026, mais 94 mil do que no ano anterior.
A Europa será a região mais afetada, com cerca de 1,3 milhões de postos de trabalho em risco, seguida da América do Norte. Setores como a construção, o retalho e os serviços concentram a maior vulnerabilidade.
No conjunto, os empregos em risco devido a insolvências poderão representar cerca de 6% do total de desempregados nos Estados Unidos e na Europa, evidenciando o impacto sistémico da atual conjuntura económica global.

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