Mercado português é um “investimento de longo prazo” para a Zalando
A plataforma alemã focada no comércio eletrónico de moda e lifestyle Zalando chegou a Portugal em outubro do ano passado e já registou um crescimento “superior às expectativas”.
Ao Jornal Económico (JE), Eloisa Siclari, general manager da Zalando para o Sul da Europa, refere que a entrada em Portugal se deu devido ao alinhamento das condições necessárias para entrar num novo mercado, tendo identificado um “mercado com fortes fundamentos no setor da moda e lifestyle, combinado com um nível crescente de maturidade digital entre os consumidores”.
A general manager explica ainda que a abordagem da empresa não “passa por entrar rapidamente nos mercados, mas sim por entrar da forma certa”. Assim sendo, a entrada deu-se de forma “fluída” e já é um mercado que superou as expectativas iniciais.
“Embora não divulguemos números específicos por mercado, podemos dizer que o mercado português tem tido um desempenho acima das nossas expectativas iniciais em vários indicadores-chave, particularmente no que diz respeito ao envolvimento dos clientes. A resposta dos consumidores portugueses tem sido muito positiva, confirmando uma abertura a uma experiência de moda mais curada e inspiradora”, aponta.
Em Portugal duas das áreas mais procuras são a de crianças e a de streetwear.
Mas, para além do volume a plataforma dá relevância às interações e ao envolvimento dos utilizadores com a plataforma, onde concluem que Portugal “pode tornar-se um contributo relevante para o crescimento no Sul da Europa ao longo do tempo”.
Apesar de superar expectativas, Portugal é um mercado que ainda tem espaço para crescer, com uma “margem significativa de crescimento, tanto a nível quantitativo como qualitativo”, sendo um mercado para o qual a empresa olha como “um investimento de longo prazo”.
Segundo a responsável, o mercado português combina duas dinâmicas “importantes”, um nível crescente de adoção do comércio eletrónico por parte dos consumidores e uma oferta menos desenvolvida.
A plataforma lançou o Partner Program, onde as marcas podem vender os seus produtos, sendo responsável pelo seu próprio negócio dentro da plataforma. Este é um programa estratégico para a plataforma, que passa a ser um Marketplace e deixa que as marcas tirem partido da infraestrutura que a plataforma disponibiliza. Para Eloisa Siclari, este programa representa um “passo estratégico fundamental”, sendo que a entrada em Portugal é “uma oportunidade importante para trazer mais marcas locais para a plataforma e apoiar o seu crescimento internacional”.
A empresa entrou no mercado de beauty em 2018, mas nos últimos anos foi consolidando essa entrada em novos mercados, tendo no ano passado expandido para os mercados no Sul da Europa. “O que estamos a observar é que os clientes esperam cada vez mais uma proposta mais holística, onde moda, beleza e lifestyle coexistem dentro do mesmo ecossistema”, afirma.
Apesar de não ter nenhum centro logístico em Portugal, a plataforma utiliza uma empresa portuguesa para fazer o transporte das encomendas. OS CTT foram os escolhidos, uma vez que a plataforma dá primazia a parcerias com players locais. “Os CTT destacaram-se como um parceiro natural devido ao seu profundo conhecimento local, cobertura nacional e elevado nível de confiança junto dos consumidores”, refere.
Com esta parceria a empresa garante que chega a todas as partes de Portugal, e consegue oferecer uma experiência de última milha “fiável, eficiente e familiar”.
Apesar de não ter nenhum hub em Portugal, em 2019 a plataforma fechou o seu centro tecnológico em Lisboa, cuja missão passava por desenvolver software, trabalhar na experiência digital da plataforma e apoiar produtos e tecnologia para outros mercados europeus. Este hub contou com um investimento de cerca de três milhões de euros no primeiro ano, e planeava ter uma equipa com 50 pessoas.
Questionada sobre a possibilidade de retornarem a Portugal, Eloisa Siclari declara que o foco atual da empresa está em “consolidar e escalar a nossa presença no mercado – reforçando a nossa proposta para o consumidor e continuando a investir na experiência e na infraestrutura”, contudo salienta que a plataforma avalia constantemente oportunidades em todos os mercados, com Portugal a “ser um mercado de forte interesse estratégico”.
“Somos um player, mas queremos ser espanhóis”
Numa visita exclusiva às instalações do centro logístico da empresa em Espanha, Helena Manjavacas, responsável pelo Centro Logístico da Zalando de Illescas, referiu que para este ano a plataforma tem como objetivo continuar a “solidez financeira e conseguir investir” ao mesmo tempo que consegue ser “uma inspiração de moda na Península Ibérica”.
A Zalando fechou 2025 com um crescimento de 16,8% nas receitas e chega aos 12,3 mil milhões de euros, enquanto o EBIT (resultados antes de juros e impostos) subiu 15,6% para 591 milhões de euros.
A plataforma pretende continuar a apostar no estilo de vida, de forma a dar aos consumidores a possibilidade de comprar moda, beleza, entre outros. Apesar de ser uma empresa alemã, Helena Manjavacas afirma que pretendem ser espanhóis, uma vez que a moda espanhola “está a ter muita ressonância na Europa”.
Apesar da força que a moda tem na Península Ibérica a plataforma pretende impulsionar a penetração no mercado, uma vez que é menos digital nestes mercados do que nos outros países.
Aos jornalistas …… refere que o mercado europeu é “incrível” para as marcas, contudo tem alguns desafios, desde logo as diferentes línguas, as várias moedas e os vários canais de venda que existem.
Centro logístico em Madrid serve Península Ibérica
Em 2021 a plataforma abriu o seu primeiro centro logístico na Península Ibérica, em Illescas, perto de Madrid. Com mais de 37 mil metros quadrados e capacidade para 4,6 mil, a empresa chega a Espanha, Portugal e dá apoio a outros países do sul da Europa.
Este hub está equipado com tecnologia de última geração, conta com 435 trabalhadores e com uma “jaula de segurança” onde são colocados os produtos de alto valor e da categoria de beleza.
No total a empresa conta já com 12 centros logísticos, espalhados por sete países. Contudo, a sua rede deve sofrer alterações, uma vez que adquiriu a plataforma de moda About You em julho do ano passado, por 1,2 mil milhões de euros.
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