PSI cai em contraciclo com Europa arrastado pela queda da Jerónimo Martins. Petróleo em forte queda
O índice PSI encerrou a sessão desta sexta-feira em queda de 0,63%, fixando-se nos 9.416,78 pontos, contrariando a tendência de ganhos generalizados registada nas principais praças europeias. A praça lisboeta foi pressionada sobretudo pelo desempenho negativo da grande maioria das suas cotadas, com destaque para a Jerónimo Martins, que liderou as descidas.
A Jerónimo Martins foi assim o título mais penalizado do dia, recuando 3,86% para 16,94 euros, após ter sido alvo de dois downgrades por parte de analistas. Seguiram-se a Semapa, que caiu 2,31% para 19,44 euros, a Teixeira Duarte, com uma desvalorização de 2,14% para 0,4795 euros, e a Sonae, que perdeu 1,69% para 2,0400 euros.
Os CTT desceram 1,67% para 5,90 euros, a Galp Energia recuou 1,14% para 21,72 euros, a Mota-Engil caiu 1,08% para 5,035 euros e a Corticeira Amorim desvalorizou 1,00% para 6,92 euros.
Em sentido contrário, apenas quatro títulos conseguiram fechar em terreno positivo, com destaque para a EDP Renováveis, que subiu 1,59% para 12,77 euros, seguida da NOS SGPS, que avançou 0,66% para 5,370 euros. O BCP registou um ligeiro ganho de 0,22% para 1,1615 euros e a EDP valorizou 0,04% para 4,801 euros.
No resto da Europa, o dia foi de ganhos generalizados. O EuroStoxx 50 avançou 1,02% para 6.238,50 pontos, enquanto o índice pan-europeu Stoxx 600 somou 0,69%. O índice alemão DAX destacou-se com uma subida de 1,17% para 25.230,26 pontos, seguido pelo CAC 40 francês, que ganhou 0,79% para 7.897,19 pontos. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,32% para 10.461,95 pontos. O FTSE MIB italiano registou um avanço de 0,49% para 50.483,21 pontos, e o IBEX 35 espanhol valorizou 0,42% para 19.085,30 pontos.
Segundo o comentário de fecho de mercados do Millennium investment banking, a sessão foi marcada por ganhos na generalidade das bolsas europeias, “onde o PSI foi exceção, arrastado pela descida da grande maioria das suas cotadas”.
Os analistas salientam que “a estimativa preliminar de que a inflação na Zona Euro terá aumentado ligeiramente mais que o previsto em setembro, situando-se em 3,8% – o valor mais alto em três anos e quase o dobro da meta de 2% do Banco Central Europeu -, foi recebida com tranquilidade pelos investidores, até porque os números de inflação em Espanha, França e Itália divulgados nos últimos dias deixavam antever um cenário pior”.
Ainda assim, o alívio dos preços do petróleo e a revelação de que a economia norte-americana criou menos emprego que o previsto em setembro, diminuindo a probabilidade de subidas adicionais de juros pela Reserva Federal este ano, sopraram a favor dos mercados, acrescentam.
O alívio nos preços do petróleo surge num contexto geopolítico tenso, após o presidente francês, Emmanuel Macron, ter anunciado que os países do G7 decidiram libertar até 100 milhões de barris de reservas de gasóleo e petróleo bruto ao longo de quatro meses, incluindo uma libertação significativa de gasóleo nos primeiros 20 dias, numa tentativa de conter a subida dos preços dos combustíveis. A decisão seguiu-se à pressão dos Estados Unidos sobre os aliados europeus, particularmente a Alemanha e a França.
No mercado de matérias-primas, o barril de Brent do Mar do Norte, referência para a Europa, caiu 1,51% para 100,77 dólares, enquanto o crude leve norte-americano (WTI) recuou 2,79% para 90,28 dólares. O ouro também registou uma desvalorização de 0,84% para 4.167,10 dólares.
No mercado de dívida, a ‘yield’ das obrigações alemãs a 10 anos recuou 5,67 pontos base para 3,45%, enquanto a dívida portuguesa com a mesma maturidade desceu 4,54 pontos base para 3,97%.
Nos Estados Unidos, as ‘yields’ das Treasuries a 10 anos sobem 2,15 pontos base para 5,26% depois dos fracos dados de emprego divulgados.
Em destaque esteve ainda a dívida francesa, com o ‘spread’ entre as obrigações francesas e alemãs a 10 anos a cair para 140 pontos base, contra 159 pontos base anteriormente. No entanto, os ‘credit default swaps’ (CDS) a cinco anos de França registaram uma subida acentuada nas últimas semanas, atingindo valores entre os 76 e os 79,6 pontos base este mês, os níveis mais elevados desde 2013, refletindo a preocupação persistente dos investidores com a situação orçamental e política do país.
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