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Portugal mantém-se entre os 10 principais destinos europeus de investimento estrangeiro

Portugal mantém-se entre os 10 principais destinos europeus de investimento estrangeiro

Portugal tenta resistir num contexto europeu marcado por maior seletividade de investimento, tensões geopolíticas, incerteza comercial e crescimento económico anémico. Em 2025, o país captou 186 projetos de Investimento Direto Estrangeiro (IDE), menos 5% face ao ano anterior, uma redução inferior à queda de 7% registada na Europa. Portugal manteve, assim, a 9.ª posição europeia por número de projetos de IDE, o que evidencia uma certa resiliência da economia portuguesa. Esta é uma das principais conclusões do EY Attractiveness Survey Portugal 2026, estudo que combina a análise dos projetos de investimento anunciados em 2025 com a perceção de 200 decisores internacionais sobre a atratividade do país.
O aumento do peso dos projetos de expansão, que passaram de 26% para 37% do total, evidencia a confiança das empresas já instaladas em Portugal e a sua disponibilidade para reforçar operações no país. Apesar deste sinal de estabilidade, o estudo da EY conclui que Portugal ainda não conseguiu converter esta capacidade de resistência em ganhos significativos de competitividade face aos mercados europeus que mais têm crescido na atração de investimento.
“Portugal voltou a demonstrar capacidade para resistir num contexto internacional particularmente desafiante. O facto de termos registado uma contração inferior à média europeia e assistido ao crescimento dos projetos de expansão mostra que os investidores continuam a reconhecer valor no país. O próximo passo passa por criar as condições para transformar esta resiliência em competitividade de longo prazo, acelerando a capacidade de financiar, executar e escalar investimentos”, afirma Miguel Farinha, country managing partner da EY Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde.
Por sua vez, Miguel Cardoso Pinto, EY-Parthenon Portugal leader, destaca: “A próxima vaga de investimento será determinada por fatores como inteligência artificial, infraestruturas digitais, energia e reindustrialização avançada. Portugal reúne vantagens relevantes nestas áreas, combinando talento, estabilidade, capacidade de atrair profissionais internacionais e uma crescente disponibilidade de energia renovável. O desafio está agora em transformar estes ativos em projetos concretos e de maior valor acrescentado.”
O estudo da EY conclui ainda que, para transformar a atual resiliência em crescimento sustentado, Portugal deverá concentrar esforços na melhoria das condições para financiar, executar e escalar investimentos, apostando simultaneamente em áreas de elevado potencial, como inteligência artificial, infraestruturas digitais, serviços de elevado valor acrescentado e reindustrialização avançada.
Tecnologia continua a liderar o investimento
Em 2025, os setores de Software e Serviços de IT e de Serviços às Empresas e Serviços Profissionais representaram, em conjunto, 44% dos projetos de investimento estrangeiro captados pelo país. Entre as empresas do setor tecnológico, 66% afirmam ter planos para estabelecer ou expandir operações em Portugal durante o próximo ano, um aumento de 11 pontos percentuais face à edição anterior do estudo da EY.
Inteligência artificial e centros de dados lideram o futuro
Quando questionados sobre a plataforma estratégica que Portugal deverá priorizar para maximizar o IDE nos próximos cinco anos, 20% dos investidores apontam o “ecossistema de inteligência artificial, cloud e centros de dados”, mas também a “logística e cadeias de abastecimento” (16%) e a “reindustrialização sustentável e indústria avançada” (15%).
Energia renovável reforça diferenciação
A qualidade de vida continua a ser o atributo mais valorizado pelos investidores internacionais, mas é a disponibilidade de energia verde e de baixo carbono que regista um dos maiores crescimentos enquanto fator diferenciador. Já 30% dos investidores identificam a energia renovável como uma das principais vantagens competitivas de Portugal, acima dos níveis registados no ano passado.
Confiança mantém-se alinhada com a Europa
Num contexto internacional mais prudente, 57% dos investidores afirmam ter planos para investir ou expandir operações em Portugal nos próximos 12 meses, um valor ligeiramente superior à média europeia (54%). Ao mesmo tempo, apenas 22% dos inquiridos referem ter adiado, cancelado ou reduzido planos de investimento em Portugal durante o último ano, abaixo dos 34% observados na Europa, sugerindo uma maior resistência do país perante os choques recentes. Já 56% acreditam que a atratividade de Portugal irá melhorar nos próximos três anos.
Acesso a capital lidera as prioridades
O acesso a capital surge como a principal prioridade identificada pelos investidores para reforçar a competitividade portuguesa. Seguem-se o apoio às pequenas e médias empresas, o reforço da inovação digital e o apoio a setores estratégicos como inteligência artificial, energia limpa e defesa.

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